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3T INDICA | The Man in the High Castle: O Reich Americano dos anos 60

Não, você não leu errado o título dessa indicação. The Man in the High Castle é uma daquelas raras séries cinematográficas super ambiciosas à la Game of Thronesque possuem uma premissa impressionantemente difícil de se construir. Afinal, imaginar como os Estados Unidos seriam se tivessem perdido a II Guerra Mundial não é algo fácil de fazer, adicione a isso a criação muito, mas muito criativa de paisagens belas, fardamentos detalhados e uma trama muito intricada de personagens onde cada ação possui uma reação. Afirmo com um pouco de receio que O Homem do Castelo Alto (como ficou conhecida em terras tupiniquins) consegue ser uma espécie diferente dentro da família originada pela Guerra dos Tronos.

Antes de mais nada, a sinopse: após ter perdido a II Guerra, os Estados Unidos foram fragmentados em 3 grandes regiões: Estados Japoneses do Pacífico, a Zona Neutra e O Grande Reich Nazista. Pelo nome já dá pra imaginar quem lidera em cada canto, né. Durante os anos 60 (época em que Philip K. Dick escreveu o livro que inspirou a série, então acreditamos que a história se passe nesse mesmo ano: 1962), acompanhamos a história de Juliana Crain (Alexa Davalos, desconhecidíssima aqui em casa), uma mulher que vê sua meia-irmã sendo morta pelo Kempeitai (na série, um tipo de exército ou guarda sob o comando dos japoneses) por causa de um misterioso filme com imagens não condizentes com sua realidade: imagens de um EUA vitorioso na II Guerra Mundial.

Em busca de respostas, Juliana parte em busca da Zona Neutra para descobrir como sua meia-irmã se envolveu no que parece ser uma resistência contra o regime japonês-alemão e, sobretudo, para descobrir o que é o filme misterioso. Do outro lado, vemos Joe Blake (juro que não lembro de Luke Kleintank em Pretty Little Lies, mas tá lá no Google), outra pessoa em busca da Zona Neutra para completar uma missão dada pela mesma resistência em que a irmã de Juliana estava filiada. O cruzamento de seus caminhos parece inevitável. O que possuem em mãos é capaz de deixar o próprio Hitler assustado com a possibilidade da destruição de seu império. O tal homem do castelo parece ser a linha de chegada dessa corrida entre nazistas e resistentes.

Agora é hora de rasgar seda: a Amazon Prime Video tá de PARABÉNS por conseguir criar uma estética e uma ambientação tão impressionantes! Enquanto assisto, só consigo imaginar o valor gasto para criar decorações visuais por meio de efeitos especiais sobre uma arquitetura gigante como as cidades de Nova York e São Francisco. Toda a ambientação está surpreendentemente realista. E bela! Não só a parte dos efeitos visuais de causar inveja em muitos filmes por aí, mas até pela atenção aos detalhes de pequenos cartazes, propagandas políticas e os fardamentos BELÍSSIMOS e extremamente detalhados dos nazistas.

A trama aqui também é algo de dar um nó na cabeça com tantas encruzilhadas, construções de personagens e caminhos cruzados. Imagino que na sala de criação do roteiro dessa série tenha um quadro branco cheio de alfinetes e cordões entrelaçados sobre as fotos dos personagens em um emaranhado impossível de ser interpretado por um reles fã maravilhado como eu.

Deixa eu explicar com uma metáfora (quem não gosta de metáforas?): as escolhas dos personagens são como fileiras de dominós caindo. As ações de um criam ondas sobre as vidas alheias que geram consequências de proporções improváveis mas, felizmente, bem realistas e “pé no chão”. É preciso uma temporada inteira para compreender o que estou tentando explicar em dois parágrafos. É um emaranhado muito bem planejado com tanto drama que te prende em frente à televisão, imaginando o que vai acontecer com Fulano já que Sicrano escolheu deixar Beltrano para trás.

A abertura dessa obra de arte é outra obra de arte! Não, eu não estou exagerando de modo algum e autorizo você a jogar uma sacolinha de bost* em mim caso eu esteja errado. Todos os mínimos detalhes foram pensados na concepção dessa pequena introdução. O significado da música que foi primeiro entoada lá em A Noviça Rebelde, os pormenores muitíssimo bem utilizados para contar a história da vitória alemã-japonesa na Guerra, a visualização de cidades e pontos turísticos destruídos e recriados pelos facistas, o modo como filmaram a Estátua da Liberdade, como se ela estivesse triste pelo resultado da batalha… Tudo, absolutamente t-u-d-o nessa abertura é perfeito.

Eu também acho engraçado e irônico como conseguiram por um elenco tão diverso em um ambiente controlado pela raça ariana: japoneses, alemães, norte-americanos e negros (tem até um negro albino. Nunca tinha visto um em uma produção norta-americana). Tá, não é o melhor exemplo de diversidade em uma série, mas ainda sim, é algo bem diverso em um mundo muito restrito.

Por fim, preciso te avisar que cada episódio tem aproximadamente 1 hora de duração, o que faz a história progredir lentamente. Isso pra mim é um deleite: amo uma história contada aos pouquinhos, que nos ensina a ter paciência e preza pela grandeza dos acontecimentos. Porém, uma pessoa acostumada a séries com 43 minutos ou mesmo 22 minutos por episódio pode achar ela chata e tediosa. Esse é o problema de séries cults: sofrem com a baixa audiência pois os espectadores não possuem a paciência de ver. Ainda bem que a Amazon possui respeito com os fãs e com a obra e não sai cancelando séries a torto e a direito né, @?

Bem, já falei demais. Esse drama que mistura insurgência com ficção não tão irreal assim é uma das melhores coisas disponíveis no catálogo do Prime Video. Como quase tudo o que eu indico aqui, já recebeu um monte de prêmios pela qualidade incrível dos detalhes, dos efeitos e da série como um todo. Vale muito a pena dar uma chance, ainda mais se você é um fã da história da II Guerra. A série fala muito sobre as patentes nazistas (tipo obergruppenführer, adoro fingir que tô pronunciando isso certo) e ainda mostra algo que nunca pensei que veria na vida: Hitler idoso. Venha torcer pela resistência e odiar nazistas no premiado sucesso não tão conhecido por aqui da Amazon Studios.

The grasshopper lies heavy.

PS.: esta indicação refere-se à primeira temporada de The Man in the High Castle. Atualmente, estão disponíveis 4 temporadas no catálogo da Amazon Prime Video. Não me responsabilizo pela qualidade das outras 3 temporadas, mas garanto que a segunda está seguindo a grandiosidade da primeira. Se esse navio sofrer, ironicamente, o mesmo destino triste e pavoroso de Game of Thrones, eu vos avisarei, com um grande pesar no coração, quando eu terminar de assistir. No mais, aproveite todos os momentos de uma primeira temporada viciante!!

Trailer legendado:

https://www.youtube.com/watch?v=7-Lfs_UlIlo
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Um comentário

  • É isso aí, série monstro, viciante e cheia de surpresas… Estou no começo da quarta temporada e a cada episódio uma informação que explica algumas coisas que vimos nas temporadas anteriores… Vale a pena assistir, eu mesmo demorei para começar e agora só quero ficar assistindo…

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