Ainda falta ler o último livro, “Herança”, da saga do cavaleiro de dragão Eragon. No entanto, dificilmente a obra vai ultrapassar em qualidade o que é “Brisingr”, o terceiro livro da série “Herança” (sim, o nome da saga é o mesmo nome do último livro), o qual eu considero a obra-prima de Christopher Paolini.
Antes de começar a resenha, mais uma vez, deixo o alerta. Apesar de tentar ao máximo não dar spoilers, será impossível falar de “Brisingr” sem falar dos seus antecessores, “Eragon” e “Eldest”. Então, os acontecimentos dos livros serão descritos, em alguns momentos, o que pode levar ao tão reclamado spoiler. No entanto, os segredos de “Brisingr” eu tentarei resguardar ao máximo.
Volto a afirmar que a escrita de Paolini é cansativa e maçante. Extremamente descritiva, até mesmo sobre detalhes que não importam e não incrementam em nada a história. Em “Brisingr” eu lembro claramente de um capítulo, de cerca de 15 páginas, que poderia ser cortado quase que totalmente. “Ai, Henrique, ia perder a magia”. Não, não ia. Mas, enfim, já foi.
Apesar de destacar isso, “Brisingr” é o livro mais dinâmico entre os que li da série até o momento. Há acontecimentos no acampamento dos Varden (o povo que se contrapõe ao império do ditador-assassino-traidor-usurpador-outros xingamentos Galbatorix), há acontecimentos entre os anões, como a escolha do novo rei e toda a política que isso envolve, e há acontecimentos entre os elfos. Durante todo o livro há alguma coisa importante acontecendo, o que impede que a história se torne cansativa – como ocorreu em alguns momentos em seus antecessores.
Até porque, agora temos mais cavaleiros e dragões nessa história: Murtagh e Thorn, que apareceram em “Eldest”. No segundo livro, dava-se a entender, apesar que de uma maneira bem infantil, que Murtagh, então amigo de Eragon, tinha morrido. Porém, no fim de “Eldest”, Murtagh ressurge com seu dragão – como eu disse na resenha anterior, isso se tornou previsível, Thorn, sob o comando de Galbatorix. Eragon, Saphira, Murtagh e Thorn voltam a se enfrentar e medir forças em “Brisingr”, o que torna a batalha e o (des)equilíbrio de poder entre Varden e o Império ainda mais interessante.
Algo que eu gostaria de destacar, que inclusive marquei na obra, foi o foco que ela deu para redenção de algumas pessoas. Ou pelo menos a oportunidade de redenção. Seja com Sloan, pai de Katrina, seja Selena – a mãe de Eragon – em acontecimentos do passado que vão sendo clarificados. Inclusive, a chance de redenção de Sloan conta com o que é, pelo menos para mim, uma das passagens mais bonitas do livro.
“[…] muitas vezes o verdadeiro nome da pessoa muda com a idade. Você entende o que isso significa? Quem você é não é eterno. Um homem poderia se reinventar se quisesse”, disse Eragon na passagem. Para deixar mais claro, “verdadeiro nome”, no livro, não é aquele pelo qual somos chamados, mas um real, que nem mesmo nós conhecemos, que resume todo o nosso ser. E, caso caia em mãos erradas, nos torna suscetíveis ao comando daquela pessoa, nos tornando marionetes. No entanto, como é explicado no trecho, esse “nome verdadeiro” pode ser modificado desde que nos reinventemos. E essa é uma das grandes belezas da obra.
“Brisingr” também volta a dar foco a Brom, que sabemos qual destino teve, e mostra toda a gigantesca importância que o personagem teve para tudo que está acontecendo, desde a criação dos Varden até a escolha de Saphira por Eragon. O personagem se mostra ainda mais importante do que já o julgávamos ser anteriormente, o que faz com que o seu destino tenha sido ainda mais doloroso para os leitores.
Mais uma vez, obviamente, temos a oportunidade de ver o crescimento de Eragon, Saphira e Roran Martelo Forte (que admito que se tornou um personagem que passei a gostar bastante). A evolução de Roran, que é primo de Eragon, não perde em nada para a história do protagonista. Ele continuou ganhando mais destaque, como já havia ocorrido em “Eldest”, e Paolini soube desenvolver bem essa maior aparição.
Em “Brisingr” finalmente também é revelado a origem do poder de Galbatorix, deixando ainda mais claro de como o traidor conseguiu subjugar e eliminar os cavaleiros de dragão de sua época, deixando a espécie à beira da extinção total. A obra também conta com a primeira, digamos, “aparição” direta do vilão, que finalmente expõe seus pensamentos. É interessante, inclusive, estudar o seu discurso e reparar como ele conseguiu aumentar a sua influência através da narrativa.
No livro também é possível saber mais sobre os Urgals, vilões em “Eragon”, mas que tem toda a sua história explicada e desenvolvida, o que nos permite entender melhor a maneira como vivem e agem e o porquê de terem tomado determinadas decisões.
Momento fanboy com coisas que nem afetam diretamente a história, porém quero falar: quando vi o filme “Eragon”, anos atrás, shippei o protagonista com Arya, a elfa. Lendo os livros, esse shipp só ocorreu realmente na primeira obra, mesmo que a elfa seja o real interesse amoroso de Eragon. Meu shipp real é com Nasuada, a líder dos Varden, e vocês podem me julgar.
“Brisingr” fez valer todo o meu esforço para terminar “Eragon” e “Eldest”, que são bons livros, porém são cansativos. A terceira obra da saga “Herança” é fantástica e com certeza a melhor da série – por mais que eu não tenha lido o último livro ainda. Tem ação, aventura, dor, felicidade, surpresas, mistérios e aparições.
Porém, acontecimentos em “Brisingr” me deixam temeroso para a conclusão da saga. Fico curioso com como será a batalha final entre Varden & Anões & Elfos & Urgals & Eragon com Saphira contra o Império. Galbatorix foi alçado a um patamar MUITO elevado. Por mais que sua fraqueza tenha sido revelada nesta obra, não é algo fácil de ser feito.
Agora vou dar dois spoilers sobre o livro, porém eu preciso falar disso, até porque me fez chorar, algo que eu não esperava. Mas já podem parar de ler a resenha para não estragar a surpresa de vocês.
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Lá vem o spoiler!
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O duro de ler toda a saga de Eragon tem sido a morte de seus “pais”. No primeiro livro, o protagonista perde Garrow, seu tio que o criou, e Brom, que passa a ser seu mestre a partir do surgimento de Saphira, mas que também adota uma postura de pai. Em “Eldest” surgem Oromis, um cavaleiro de dragão que estava escondido, e Glaedr, o seu dragão. Eles passam a treinar Eragon e Saphira, adotando uma postura de mestre, porém também paternalista. Eles também morrem, agora no terceiro livro, e como a morte dos dois é descrita é bem dolorosa, bem triste e solitária. E isso doeu de uma forma dura, o que me arrancou lágrimas.
E o segundo spoiler é que, enquanto no segundo livro foi “revelado” que Morzan, o traidor pai de Murtagh, seria o pai também de Eragon (apenas esclarecendo que Murtagh e Eragon são irmãos), em “Brisingr” descobre-se que Brom era o verdadeiro pai de Eragon, pois se apaixonou e esteve com Selena. No entanto, Murtagh ainda não sabe disso e acredita que são irmãos por completo e não apenas “meio”. E a descoberta de que Brom era o pai de Eragon fez com que a dor da morte do primeiro livro voltasse.