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“Eldest” é melhor, porém pior do que “Eragon”

OBS INICIAL: Obviamente que o texto conterá spoilers sobre “Eragon”, o primeiro livro da série “Herança”. Afinal, a história continuou. Tentarei não falar nada realmente, digamos, capital, mas não prometo nada.

Título confuso? Eu sei. Porém, é a verdade. “Eldest”, de Christopher Paolini, o segundo livro da série “Herança”, é melhor do que o seu antecessor, “Eragon”, porém também é pior. E os motivos estão logo abaixo.

O motivo de “Eldest” ser melhor, ao meu ver, é devido à evolução da história – que, por outro lado, é leeeeeeeeeenta. Obviamente Eragon, o protagonista, teria que evoluir para conseguir lidar com os desdobramentos dos fatos ocorridos no fim do primeiro livro e no início do próprio “Eldest”, que começa a todo vapor, inclusive.

Mas isso é um dos motivos que faz com que “Eldest” esteja, ao mesmo tempo, abaixo de “Eragon”. Por ter tido um início, digamos, tão explosivo, esperava-se um desenvolvimento mais dinâmico, mais forte. No entanto, o que encontramos é um marasmo ainda maior do que em seu antecessor. Enquanto no Livro 1 Eragon estava em franco crescimento em busca de um objetivo, e com uma aventura aqui e ali, no Livro 2 é apenas crescimento, treinamento, amadurecimento por centenas de páginas.

Claro, se tratando de uma saga, uma série, isso é importante, ainda mais que o confronto mostrava-se cada vez mais próximo. Porém, isso fica cansativo demais quando colocado em centenas de páginas seguidas. Paolini foi inteligente ao tentar mesclar o treinamento e amadurecimento de Eragon com o que ocorria com os Varden (a principal oposição do Império) e com Roran (primo de Eragon) em Carvahall (cidade/aldeia-berço de Eragon). E o desenvolvimento da história de Roran foi o ponto mais alto nesse “meio do livro” – que, em sua totalidade, foi bem chatinho. Claro, houve algumas surpresas em relação a Eragon nesse meio de livro, algumas bem importantes, mas não compensam toda a espera e as incontáveis páginas de treinamento.

Henrique, se você achou tão cansativo e extenso, porque você ainda insiste em falar que é melhor do que ‘Eragon’?”. Porque, mesmo nesse meio do caminho, no qual parece que nada demais está acontecendo, há diálogos importantes e bem maduros. “Eldest” é um livro mais político – com discussões sobre acontecimentos, alianças políticas, consequências sobre atos, entre outros -, além de também abordar religião, mesmo que de uma forma diferente, e até mesmo preconceito. Nisso, “Eldest” dá um banho em “Eragon”. Ademais, as cenas de batalhas, de confrontos, ganham mais corpo. Em “Eragon” já eram boas, mas em “Eldest” estão ainda melhores.

Já em outros pontos, os dois livros se assemelham, principalmente em se tratando de lentidão e excesso de descrição. Enquanto “Eragon” ia apresentando todo aquele mundo novo fantástico, com suas criaturas épicas e introduzindo o herói em sua jornada, “Eldest” gastou um longo tempo apresentando a cidade dos elfos, suas formas de tratamento, seus odores e trejeitos. Nada de errado com isso, mas é um excesso de descrição que faz com que a obra se torne maçante. Por outro lado, como foi o segundo livro de Paolini que eu li, da mesma saga, e descrito da mesma forma, podemos destacar que é uma das formas de autor de firmar a sua escrita e “assinar” as suas obras.

Ademais, o Livro 2, como eu já disse acima, conta com um início explosivo e com um final que não deixa a desejar – apesar de ser, em partes, previsível. Se o meio da obra é arrastada, o início e o fim fazem com que as páginas virem em uma velocidade alucinante. Eu simplesmente não conseguia parar de ler até que chegasse a conclusão. E, com tanta coisa em aberto, eu já preciso começar a ler o Livro 3, “Brisingr”, imediatamente.

Nem todo mundo vai gostar de “Eldest”. Inclusive, acho que vai agradar menos do que “Eragon”, justamente pela sua lentidão de desenvolvimento. Vale a pena? Vale para quem quer conhecer, até o final, a saga de Eragon, a série “Herança”.

Obs final: precisei pesquisar na internet o significado de “Eldest”, pois não vi a palavra sendo citada em nenhum momento em toda a obra. “Eragon” é o nome do protagonista. “Brisingr” (Livro 3) é uma forma de falar “fogo” na língua antiga”. “Herança” (Livro 4) é o nome da série de livros. Mas não havia explicação para a palavra “Eldest” (Livro 2). Ao pesquisar, descobri que é uma forma, em inglês, de se falar “primogênito”, o que fez bastante sentido.

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