Home / Referência Literária / “Eragon” e a criação de um mundo fantástico

“Eragon” e a criação de um mundo fantástico

Gosto muito de ver universos nascerem. Quando li “Harry Potter e a Pedra Filosofal” me encantei pelo mundo da magia. Quando li “Percy Jackson e o Ladrão de Raios” me encantei pelo mundo grego – e mais tarde o romano – nos dias atuais. Lendo “Eragon”, de Christopher Paolini, me impressionei com a criação de um mundo fantástico com dragões, cavaleiros, elfos, anões, entre tantos outros.

Ao contrário dos primeiros Harry Potter e Percy Jackson (que também são sagas que pretendo fazer as resenhas), “Eragon” é um pouco mais “maduro”, até mesmo devido a idade dos seus protagonistas. Harry e Percy eram mais novos do que Eragon quando começaram as suas jornadas.

Consequentemente, Eragon foi forçado a amadurecer mais rápido. Isso também porque o cavaleiro estava “sozinho” no mundo, sem o apoio de uma escola ou um acampamento, quando começou a sua jornada. Teve seu mentor, claro, mas precisou evoluir rapidamente para sobreviver em um “mundo aberto”.

Obs intermediária: fiz essas “comparações iniciais”, pois foram livros que nasceram em uma diferença de tempo muito pequena. Entre o primeiro (Harry Potter) e o último (Percy Jackson) foram menos de 10 anos de diferença, o que dá ainda mais méritos ao livro de J.K. Rowling por ter “puxado a fila” para essas aventuras fantásticas – o que a maioria já sabia.

Um dos pontos fortes da escrita de Paolini é a apresentação e o fortalecimento da personalidade dos personagens. O autor não utiliza de muitas artimanhas para ludibriar o leitor, deixando claro o caráter dos personagens – claro que uns segredos e enigmas são mantidos, até para adicionar suspense à trama.

Por outro lado, admito que tive dificuldades devido à escrita, digamos, descritiva de Paolini. Claro que, apresentando um mundo novo, as descrições eram completamente necessárias. No entanto, eu, Henrique, prefiro deixar a minha imaginação fluir do que ficar lendo a descrição de determinado local. Houve momentos que extensos parágrafos eram dedicados para descrever o que e como era aquele local, nos mínimos detalhes. Isso me incomoda bastante, tanto que apenas li partes de alguns. Posso dizer que formei o meu mundo dentro do mundo de Paolini.

Por causa desses excessos de descrições, e a necessidade de um desenvolvimento preciso de Eragon, o livro pode ser maçante em alguns momentos. De fato, há partes que você sabe que nada demais irá acontecer, e realmente não acontecem, sem surpresas. Foca-se muito no desenvolvimento do protagonista e de toda a disputa política daquele novo mundo – o que não é errado, mas pode tornar-se cansativo para alguns leitores, principalmente considerando que a obra visa um público mais jovem, que, por vezes, exige uma dinamicidade maior.

No entanto, esses, digamos, “pontos fracos” acabam sendo, também, “pontos fortes”. Isso porque a jornada de Eragon começa pela busca por vingança. E esse objetivo vai se modificando, se adequando, se estruturando, tendo um desenvolvimento, um amadurecimento de acordo com os acontecimentos.

Eu, particularmente, gostei de “Eragon”. Porém, também admito que é preciso ter paciência para conseguir terminar de ler a obra. Não é difícil “adentrar” o mundo, visto que Paolini é muito descritivo e permite a rápida imersão, mas o lento desenvolvimento dificulta o envolvimento, em si, com a história.

Muitos pontos foram deixados em aberto para os próximos livros (Eldest, Brisingr e Herança), que também terão resenhas por aqui nas semanas futuras. Por se tratar de uma série de livros, isso é compreensível, mas sempre fica o medo de que esses fios sejam deixados sem nós. Acompanhemos os próximos capítulos.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *