Cheguei ao meu terceiro livro da Rainbow Rowell, então já me considero um leitor assíduo da autora. E não é para menos. Gosto da forma que ela escreve, sempre de um jeito leve, engraçado, relaxante e gostosinho. Geralmente há algo em suas obras com um tom mais sério, mas que é passado com certa leveza. Não foi diferente com “Fangirl”.
É bom deixar claro que o livro é um passatempo, um romance com um tom de drama – um episódio ocorrido no passado, mas que volta a assombrar as gêmeas Wren e Cath, que reagem de formas diferentes. A obra é mais focada em ser uma distração do que realmente fazer os leitores refletirem, e não há nada de errado nisso.
A escrita de Rowell se sobressai mais uma vez. Texto leve e ágil, de fácil compreensão, que permite que as páginas virem rapidamente. Os personagens também contam com suas características claramente definidas, sem a menor necessidade de utilizar ferramentas para ludibriar o leitor sobre suas formas de agir e pensar.
O engraçado é que o primeiro livro que li da autora se passa no ensino médio (“Eleanor & Park”), o segundo na vida adulta, no trabalho (“Anexos”, que é o meu preferido dela) e o terceiro no início da vida universitária (“Fangirl”). O porquê eu disse isso: a escrita de Rowell – pelo menos no que diz respeito à forma de agir dos personagens – se adaptou a estas situações.
Um dos focos do livro é a insegurança da protagonista, Cath. Se por grande parte da sua vida o seu porto seguro foi a irmã, na universidade ela precisa amadurecer em relação a isso, visto que Wren, sua gêmea, quis mais, digamos, independência e viver a vida universitária em sua “completude” (digo entre aspas por motivos que vocês saberão se lerem o livro).
Sem uma relação direta com a irmã, Cath é obrigada a lidar de frente com a vida – e obviamente encara dificuldades com isso. Porém, com auxílio, principalmente de Reagan, Levi e Piper, as coisas vão se desenvolvendo. Nesta situação, é possível fazer um paralelo bacana com a vida real, visto a nossa necessidade de amadurecimento, principalmente quando estamos afastados do nosso porto seguro – seja ele qual, ou quem, for.
Acredito que o amadurecimento e a insegurança são os dois pontos principais para conseguir se ter uma reflexão com o livro. “Ah, Henrique, mas eu refleti sobre outras coisas”. Uma obra vai atingir cada leitor de diferentes maneiras. No meu caso, o que me chamou mais a atenção – além de tudo supracitado – foram as questões de amadurecimento e insegurança.
Dito isso, não espere muita profundidade de “Fangirl”. Não é minha obra preferida da autora – esta segue sendo “Anexos”, que a resenha pode ser conferida aqui – mas é um bom livro, um bom passatempo que garante o divertimento.