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3T INDICA | ‘GLITCH’: UM CASO DE VIDA E MORTE

Desde que nascemos, a morte parece se tornar automaticamente um tabu nato a nossa própria existência. Um momento de dor? Um momento de passagem a um lugar melhor? Depende do ponto de vista de cada pessoa, de cada lugar, cada cultura.

Mas e se fosse possível voltar dos mortos? E se alguém descobrisse uma forma de nos trazer de volta à vida através de algum experimento ou mesmo através de algum tipo de milagre? Que tipo de responsabilidades isso nos traria e que tipo de discussões isso geraria na sociedade e nas pessoas ressuscitadas? Glitch, produção australiana cuja primeira temporada estreou em 2015 no canal de televisão ABC, parece querer nos responder todas essas perguntas e mais algumas.

A série, dirigida por Emma Freeman, surfou na onda desse tema que já havia sido visto também em produções como Les Revenants, The Returned e Resurrection. Apesar do razoável sucesso de todas, parece ter saturado um pouca essa história de pessoas voltando à vida, mas ainda assim Glitch encontrou uma sobrevida com a entrada da Netflix a partir da segunda temporada. A coprodução com o serviço de stream perdurou por mais uma temporada, a terceira e provável última, lançada no final do ano passado. Apesar de poucos episódios ao longo de tantos anos, a história parece ter encontrado sua conclusão, e conseguiu atrair um nicho de fãs com seus arcos no mínimo intrigantes.

Tendo chegando à Netflix em 2016, Glitch foca na história de sete pessoas que literalmente levantam de seus caixões e voltam a vida misteriosamente e em perfeito estado de saúde após anos, décadas, séculos mortos. A grande sacada da série, no entanto, é dosar bem as tramas com suspense e um drama naturalmente exigido pela força do tema: ressurreição.

Através do olhar e das vidas das personagens principais na pacata cidade australiana de Yoorana, somos guiados em suas redescobertas, traumas, medos e recomeços. Glitch também é sobre lidar com as perdas, por incrível que pareça, porque mesmo que a vida possa ser restaurada, nem tudo permanece. Tudo muda o tempo todo. E é preciso se acostumar, lidar com as mudanças que o mundo sofreu após a morte. Algumas situações geram naturalmente um alívio cômico, por outro lado outras situações incomodam, constrangem e geram momentos completamente inacreditáveis e improváveis. Mas Glitch nunca abusa do telespectador e sabe se guiar por entre as circunstâncias que cria: ao longo das três temporadas vamos descobrindo novas camadas da trama e passamos a entender melhor o mistério ao redor daqueles que retornam dos mortos, com boas e inesperadas surpresas e respostas para as perguntas que vão surgindo.

No elenco, um competente quadro de atores que consegue imprimir personalidade as personagens, mas sem grandes destaques. Além disso, a série consegue bons resultados pelo encontro desses atores com uma equipe também bastante competente nos quesitos direção, fotografia e trilha sonora. A premiada Glitch não é literalmente um caso de vida ou morte, porém definitivamente é sobre vida e morte. Preservados aqui neste texto vários detalhes sobre a trama para que você se surpreenda ao máximo, vale a pena assistir e refletir sobre temas inerentes a nossa própria humanidade.

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