Atenção: a crítica a seguir pode conter SPOILER.
Você já parou para pensar no seu pós vida? O que será que acontece com nosso espírito depois de finalmente findarmos nossa missão aqui na terra? Será que acreditar em céu e inferno, bem e mal, paraíso e purgatório, adiantou de alguma coisa na hora de te guiar pelo vale das sombras da morte? E SE fosse possível nunca, de fato, morrer? E se o seu corpo fosse descartado mas a sua mente fosse completamente submersa em um mundo de realidade virtual no qual você poderia ser a sua melhor versão. E é com esse pensamento que a nova série da Amazon vai nos introduzir com o universo de Upload – Realidade Virtual.
A série criada por Greg Daniels teve sua estreia no início deste mês, 1 de maio, no serviço de streaming da Amazon Prime, sua primeira temporada é composta por 10 episódios e já está com a data de estreia prevista para uma segunda temporada em 2021.
O ano é 2033 e de início conhecemos Nora Antony (interpretada por Andy Allo), uma programadora da empresa Horizen que proporciona suporte aos avatares dos clientes que morreram e estão tentando se adaptar ao mundo virtual pós vida, ela trabalha na filial em Nova York e nunca, realmente, saiu dos limites da cidade para visitar outro lugar que não fosse os próprios bairros de onde morava ou seu mundinho particular em Lakeview. A personagem de Nora é bem dinâmica de se acompanhar, mesmo que seu visual não transpareça, ela é uma pessoa bastante sociável, comunicativa e positiva em relação à vida humana. Seu maior objetivo é fazer com que seu pai aceite o plano pós vida e que os dois possam passar a eternidade juntos. Ela tem alguns problemas em se relacionar emocionalmente com as pessoas e acaba achando em um de seus clientes o amigo perfeito para desabafar os fardos que precisa aguentar sozinha.

A empresa, na qual Nora trabalha possui um tipo de “cemitério virtual” para alocar os clientes e disponibilizar pacotes de acordo com os planos pagos ainda em vida. Ela divide sua mesa com a amiga, Aleesha (interpretada por Zainab Johnson), e as duas acabam compartilhando sobre as vidas dos seus respectivos avatares enquanto tentam desvendar o que fazer a seguir para entreter o dia a dia dos moradores de Lakeview até o nome do cemitério é chique. Através da sua função de anjo dos usuários, Nora, acaba conhecendo Nathan Brown (interpretado por Robbie Amell) e é inevitável não querer que em algum momento que os dois fiquem juntos.
Mesmo com toda a química palpável dos dois desde o primeiro minuto em que se encontram, um romance “de verdade” só vai acontecer depois que Nathan resolve a sua situação. O que me deixou bastante surpresa, já que é comum nesse tipo de série trazer dramas aleatórios para trama e perder um pouco do foco inicial. Mas nada de complicação, triângulos amorosos desnecessários e muito menos clichê padrão para o que estar por vir.
Nathan, assim como Nora, é um programador, ele mora em Los Angeles e acaba morrendo misteriosamente em um acidente de carro que não deveria ter acontecido. Em seu leito de morte, o jovem acaba assinando um contrato de pós vida na conta Horizen da sua namorada, Ingrid Kannerman (interpretada por Allegra Edwards), fazendo com que os dois possam estar juntos para toda a eternidade depois que ela também fizesse seu Upload.

É possível notar o desconforto do protagonista desde o início, ele se encontra em um relacionamento que não tem muito futuro, boa parte da sua família e amigos não gostam de Ingrid, mas seu status não o incomoda tanto ao ponto de ser necessário fazer grandes mudanças, até que na hora de sua morte ele se depara com a escolha de ter que viver com ela pelo resto da eternidade e ele acaba aceitando os termos do contrato sem ter tempo de ler e ponderar que naquele momento ele estava confirmando “seus direitos autorais” para outra pessoa.
Mesmo sendo dono de si e vivendo o seu mais puro livre arbítrio desde sempre, Nathan fica preso às vontades de Ingrid e presenciamos o início de uma relação comandada por um parceiro. Ele come o que ela quer, veste o que ela quer, se porta como ela quer e quando esse ambiente é ameaçado negativamente ele tem sua ‘existência’ ameaçada pela simples palavra ‘deletar’.
Apesar de o foco principal estar na forma em que nosso protagonista morre e em como ele é mantido em Lakeview, os personagens secundários sabem muito bem dar apoio ao ambiente que está sendo desenvolvido ao redor dos principais, a Inteligência Artificial (interpretado por Owen Daniels) que está presente em todas as funções existentes no hotel de luxo, recepcionista, camareiro, ajudante de elevador; Luke (interpretado por Kevin Bigley), melhor amigo, pelo menos ele mesmo se deu esse título, de Nathan e ex soldado que perdeu as pernas em combate mas que agora pode usufruir das regalias do mundo virtual e andar por todo lugar sem se cansar;

E se você espera mistério resolvido no final da temporada, eu sinto muito informar, mas não tem isso aqui, os produtores nos dão o básico para criar teorias mais fortes do que poderia ter acontecido com Nathan e alguns diálogos soltos de memórias perdidas criam um clima diferente para a nova temporada. Incrivelmente essa falta de informações não foi uma coisa que me incomodou, é claro que você percebe que está sendo “enrolado” no decorrer dos episódios, e nada do que foi proposto no Piloto está sendo, deveras, determinado, mas apesar desse “defeito” o fluxo da série é constante e te deixa sempre querendo saber o que vai acontecer a seguir.
Para quem curte séries como The Good Place e Black Mirror, vai gostar das leves semelhanças que Upload – Realidade Virtual tem com esses sucessos, o mesmo esquema de pontuação de usuário acontece aqui, a diferença é que os moradores pontuam os anjos e isso ajuda no ranking profissional deles; “tudo o que você quiser pode se tornar realidade”, com apenas dois cliques é possível transformar o impossível em possível.

Outro ponto importante que foi levemente pincelado nesta temporada foi a questão da classe social com a apresentação dos usuários 2 gigas, diferente dos moradores do hotel de luxo que possuem gigas ilimitados e regalias para todo lado, essas pessoas vivem no porão de Lakeview, comem os restos dos usuários de cima, não possuem mudas de roupas e nem uma vista esplêndida no quarto e não podem correr o risco de pensar muito porquê até isso é cobrado do seu pacote mensal. Quando um 2 gigas atinge seu limite pré pago, ele fica invalidado até a próxima recarga ou até o mês seguinte (dependendo de como tenha sido seu plano na Horizen) e sofrem os mesmos preconceitos que uma pessoa de classe social menor, na vida real, sofre. Na série eles são os ‘excluídos’ da comunidade e nem mesmo o avatar da Inteligência Virtual quer ter contato com um 2 gigas, Nathan e Nora são os únicos dispostos a visitarem o local e se compadecerem com o estilo de vida levado por aquelas pessoas.
O sitcom é coberto de exageros e com o típico humor americano que faz você rir sem querer, apesar de não ter uma temática com muitos mistérios e segredos obscuros, é um ótimo entretenimento para maratonar. Upload – Realidade Virtual está com a primeira temporada completa disponível no serviço de streamig da Amazon Prime. Confira o trailer a seguir.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=gVY7vKYs1xo]
Um comentário
Olá td bem? Amei seu post,seu conteúdo esta muito bom. Vou acompanhar o blog ,Sucesso 🙂