Edward “Ed” Warren Miney e Lorraine Rita Warren foram investigadores de fenômenos paranormais, como possessões e assombrações, além de terem ajudado as vítimas a se livrarem das entidades demoníacas. O casal ficou mundialmente famoso depois do caso da casa em Rhode Island, que inclusive inspirou no primeiro filme Invocação do Mal, dirigido por James Wan.
Um dos seus grandes feitos foi a criação da Sociedade da Nova Inglaterra para Investigação Psíquica, baseada na investigação de fenômenos paranormais a partir de um enfoque científico. Enfermeiros, médicos, investigadores e até policiais se ofereceram para trabalhar gratuitamente na sociedade, que não tem fins lucrativos. E assim, o casal passou a visitar cada vez mais locais mal-assombrados, Lorraine como clarividente e Ed como demonólogo. Ele, aliás, tornou-se a primeira pessoa autorizada a realizar o ofício sem ser sacerdote católico.
Hoje, nós vamos contar alguns casos reais do casal de clarividente e demonólogos.
- Família Smurl

Entre 1974 e 1989 a família Smurl presenciou acontecimentos incontestáveis em sua própria casa. Ruídos, mal cheiros, vozes chamando seus nomes e objetos se movendo foram apenas o começo, conforme o tempo passou a atividade paranormal piorou ao ponto do animal de estimação ser agredido e a filha ser empurrada do topo da escada. Jack, Janet e Carin Smurl, inclusive foram abusados sexualmente (diversas vezes) pela força invisível. Apesar de terem tentado exorcizado a casa o casal afirmou que os demônios os perseguiam por onde fossem.
Os Warren ofereceram sua experiência no ramo para tentar livrá-los deste mal. Após uma investigação determinaram que haviam três espíritos e um poderoso demônio residindo na casal. Durante o processo Ed sofreu uma tentativa de estrangulamento. Um bispo tentou ajudar realizando uma missa em latim, mas só enfureceu o diabo, que agora perseguia a família até fora da casa.
Foi somente em 1988, que a diocese de Scranton ofereceu ajuda e conseguiu terminar com os fenômenos através de um exorcismo.
O caso serviu de inspiração para o filme “A Casa das Almas Perdidas” de 1991, estrelado por Jeffrey DeMunn e Sally Kirkland.
- O Julgamento

Em 1981, Debbie Glatzel presenciou seu noivo de 19 anos, Arne Cheyenne Johnson, esfaqueando Alan Bono, o proprietário de seu imóvel. Meses antes do assassinato, o irmão mais novo de Debbie, David, teve atitudes inexplicáveis como ataques de raiva e comportamentos distintos de sua personalidade habitual. Convencido de que David estava sob o domínio de algo maligno, a família chamou os Warren para ajudar.
Os Warren afirmaram que 43 demônios residiam no jovem e eles começaram a visitá-lo regularmente. O casal realizou três pequenos exorcismos para livrar o menino da possessão. Durante o exorcismo final, Johnson provocou o demônio para possuí-lo em seu lugar. A partir desse momento, Debbie e os Warren afirmaram que ele foi possuído pelos mesmos demônios.
Os Warrens teriam avisado a polícia local que uma tragédia aconteceria em breve, mas foram ignorados. Durante sua defesa no tribunal, Johnson afirmou que estava possuído por demônios quando assassinou Bono. O caso, que ganhou grande atenção da mídia, se tornou o primeiro caso conhecido de um acusado usando possessão demoníaca como justificativa nos Estados Unidos, e foi apelidado de “O diabo me obrigou a fazer” pela mídia.
O caso serviu de inspiração para o terceiro filme da saga “Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio”, que irá estrear em 11 de setembro.
- Família Perron

No inverno dos anos 70 a familía Perron, Roger Perron, sua esposa Carolyn, e suas cinco filhas Andrea, Nancy, Christine, Cindy, e April se mudaram para fazenda assombrada em Harrisville, Rhode Island.
Mais tarde souberam que oito gerações de famílias viveram e morreram na Velha Fazenda Arnold, incluindo a Sra. John Arnold, que com 93 anos se enforcou nas vigas do celeiro. Além disso, assassinatos, estupros e diversos suicídios ocorreram na fazenda.
No começo, os fantasmas eram inofensivos. Um fantasma cheirava a flores, enquanto outro ia gentilmente dar um beijo de boa noite nas meninas em suas camas, todas as noites. Também havia um fantasma que limpava o cômodo e um que brincava com as meninas. Depois coisas irritantes começaram a acontecer, fantasmas que beliscavam as meninas no meio da noite, ou que batiam na porta, ou até mesmo choravam de madrugada impossibilitando da família dormir em paz.
Mais tarde coisas mais macabras começaram a acontecer, a família não quis revelar se houve abuso sexual ou não, mas Andrea Perron se resumiu a dizer: “Vamos apenas dizer que havia um espírito masculino muito ruim na casa -com cinco garotinhas”
O fantasma mais horrível na casa tinha como alvo a Sra. Perron especificamente. Conhecido como Bathsheba, o fantasma era uma mulher que havia vivido ali há muito tempo, acusada de ter sacrificado seu filho para satanás a mulher viveu em solidão até sua morte. Ela torturava Carolyn Perron (uma das filhas, Cindy, também foi muitas vezes um alvo frequente), enquanto cobiçava o Sr. Perron. A fantasma quebrava eletrodomésticos e quando o Sr. Perron ia trabalhar no conserto, muitas vezes ele sentia Bathsheba tocá-lo, acariciando seu pescoço ou passando as mãos em suas costas.
Por diversas vezes Bathsheba tentou expulsar Carolyn da casa. Objetos eram jogados nela, agulhas furavam sua perna enquanto dormia, e tochas acendiam debaixo de sua cama. Certa vez Bathsheba tentou possuir Carolyn, e foi aí que os Perron chamaram Ed e Lorraine Warren para ajudá-los.
A essa altura, acreditava-se que Bathsheba já havia possuído Carolyn Perron fisicamente, e disso Ed Warren não poderia discordar.
Infelizmente, a verdadeira história da assombração da família Perron terminou de forma diferente da retratada no filme “Invocação do Mal”. Na realidade, os Warren não tiveram sucesso na tentativa de libertar a família Perron de seu tormento infernal. Carolyn Perron lembrou da “terrível noite” e explicou que, apesar das intenções dos Warren serem boas, eles perceberam que as coisas pioraram. Como a situação ficou fora de controle, Roger Perron exigiu que os Warren deixassem o local imediatamente.
Apesar de tudo que acontecia, a família não tinha condições financeiras de se mudar, então sofreram durante década de tortura paranormal. Foi somente nos anos 80 que eles conseguiram ter dinheiro o suficiente para se mudarem para Georgia.
O caso foi conhecido por ser “a investigação mais intensa, convincente, perturbadora e importante” de suas carreiras, servindo de inspiração para o primeiro filme da saga “Invocação do Mal“.
- A Casa dos Snedeker

A família Snedeker, composta por Allen e Carmen, quatro filhos e mais duas sobrinhas (que viriam se juntar à família depois) decidiu se mudar para Southington, Connecticut, para que pudessem estar mais perto de um hospital onde seu filho estava sendo tratado de câncer. O lugar era conhecido como A Casa Hallanan, pois era o nome da funerária que ali funcionava.
O filho em tratamento foi o primeiro a presenciar atividades paranormais, mas os pais não acreditaram pois achavam ser algum tipo de efeito de um tratamento à base de cobalto que ele recebia por causa de sua doença. No entanto eles estavam errados, o garoto começou a ter uma súbita mudança de comportamento, ao ponto de invadir a casa do vizinho para roubar uma arma e matar seu padrasto.
Fenômenos na casa começaram a acontecer com frequência, como água virando sangue e odores pútridos. Além dos demônios abusarem sexualmente de Carmem e uma das sobrinhas.
Carmen descreveu as aparições demoníacas: “Um dos demônios era muito magro, com maçãs do rosto altas, longos cabelos negros e olhos negros enquanto o outro tinha cabelos e olhos brancos, usava um smoking risca de giz, e seus pés estavam constantemente em movimento.”
Os Warren foram contatados e moraram na casa durante nove semanas. Eles levaram junto seu sobrinho, John Zaffis, para ajudar no caso. Nesta ocasião, Zaffis teve contato com seu primeiro demônio e relatou como “a coisa mais feia que viu“.
Mais descobriram que no passado os ex-agentes funerários estavam envolvidos em necromancia e necrofilia com os cadáveres. Lorraine Warren disse mais tarde que o caso era “muito, muito mais assustador do que qualquer filme jamais poderia ser”, depois de assistir à adaptação “The Haunting in Connecticut” lançada em 2009.
Lorraine diz que a casa foi liberta de qualquer presença após o exorcismo de 1988.
Infelizmente Ed e Lorraine faleceram, mas seu trabalho permanece vivo através do Museu do Ocultismo, local onde estão todos os objetos que o casal encontrou em seus trabalhos e que representam um perigo para a sociedade por supostamente estarem possuídos. Entre esses objetos estão desde máscaras diabólicas a brinquedos e vestidos de noiva.


