Acho que após ler dois livros de Charlie Donlea – “A Garota do Lago” e, agora, “Deixada para Trás” – já posso dizer que sou fã do trabalho desse escritor. Eu já tinha gostado do primeiro, mas “Deixada para Trás” está em um nível bem acima.
A história protagonizada por Lívia, uma quase-médica-legista, envolve do início ao fim. No começo fiquei confuso, tanto que li o primeiro capítulo umas três vezes – isso enquanto eu avançava no livro. Mas logo tudo foi fazendo sentido.
O que me atrai na escrita do Donlea é que ele vai deixando pistas para vários suspeitos, e todos fazem muito sentido. Até mesmo quem não faz sentido você desconfiar, você desconfia.
Em “A Garota do Lago” tive certo apego emocional pela protagonista ser jornalista. Mas em “Deixada para Trás” não foi apenas um apego, mas uma admiração sincera pela Lívia. Forte, independente, com seus fantasmas do passado ainda a assombrando, mas seguindo em frente.
Em determinado momento da obra, até achei que Donlea estivesse subestimando a capacidade da Polícia e superestimando o trabalho investigativo de Lívia. No entanto, a falta de ação das autoridades, somada ao trabalho da imprensa, fez sentido dentro da narrativa.
“Deixada para Trás” é fantástico. Entre os dois livros de Donlea que li, é o melhor. Foi simplesmente impossível parar de ler nas últimas 100 páginas. As folhas viravam quase que automaticamente, numa velocidade assustadora. Quanto mais eu lia, mais eu queria chegar ao final.
Vale a pena destacar também a facilidade de Donlea de criar mulheres fortes para o papel de protagonista – algo que me atrai bastante no trabalho do autor. Já foi assim em “A Garota do Lago” e continuou assim em “Deixada para Trás”.
