Henrique Schmidt segue em sua maratona de focar em escritores brasileiros. Na realidade, no último mês de outubro, só li obras de autores brasileiros. Muitas delas vocês verão em resenhas por aqui na Tribernna.
Um dos mais recentes lidos foi Cidade Banida, de Ricardo Ragazzo, que se passa em um futuro distópico, pós-apocalíptico. Distopia essa, claro, graças à ganância da humanidade e uma falsa ilusão de ordem.
Ragazzo parece ter criado um universo rico na obra Cidade Banida, que aparentemente terá continuação, pelo menos um dia. O fim do livro deixa um gancho MUITO grande para uma próxima obra.
Se por um lado a grande variedade de personagens e elementos chamam a atenção, por outro a narrativa me incomodou um pouco. Talvez, por tudo que tenha sido apresentado, em alguns momentos houve uma dificuldade para tudo ser bem desenvolvido.
Ao meu ver, algumas situações poderiam ter sido melhor exploradas, enquanto outras poderiam ter passado mais rapidamente – se tornou cansativo em alguns momentos.
Outro ponto que me chamou a atenção foi a mudança na característica da protagonista. A evolução da personagem foi muito bem por ¾ da obra. Mas, no fim, foi dado um salto tão grande, com uma personalidade até diferente, que eu fiquei meio “????”.
Meu medo em relação a esse livro é que não tenha continuação. No site oficial do autor, ele disse que o livro “Cidade Soberana” seria lançado em 2017, o que não ocorreu. Em uma entrevista, cedida em 2017, ele afirmou que a obra estava 85% completa. Porém, em uma rápida pesquisa na internet, nada mais foi encontrado a respeito da obra. E muita coisa ficou em aberto.
Sobre as “mudanças”, citadas no título, a protagonista é a visão clara dessas mudanças e isso foi super bem explorado. Tudo que ela passa ao longo de quase 400 páginas da história, como responde a cada situação, como explora cada pensamento, cada sentimento, cada diálogo (até a parte final do livro) deixa claro como essas modificações são retratadas.
“Cidade Banida” é um bom livro e renderia um bom filme. #JustSaying. Eu não gosto de qualificar uma obra por nota, até porque acredito que cada um tenha uma perspectiva a respeito dela, mas vale a pena ser lida. É bom ler algo distópico escrito por um brasileiro, que tem uma perspectiva mais próxima da nossa realidade.