Representatividade.
A palavra em si significa ter algo no qual se refletir…Alguém ou algo que represente você ou seu povo. Uma pessoa representativa é como se fosse a voz e a imagem de um grupo social.
Ao longo dos últimos anos nós, fãs de quadrinhos, temos visto aos poucos algumas figuras representando grupos sociais vítimas de racismo, segregação e até erradicação. Na Marvel vimos Kamala Khan, uma muçulmana nos Estados Unidos surgindo como Ms. Marvel, Wiccano e Hulkling, um casal homossexual de mutantes. Personagens ficcionais representando um setor que sofre por um longo período de tempo.
Mas e no Brasil?
A arte no nosso país, principalmente a arte fora das grandes galerias, é tratada na maioria das vezes com desprezo. Como se nada de bom pudesse emergir da população que sonha, mas encontra dificuldade em ter uma mudança de vida. Pessoas que vem da periferia precisam batalhar muito mais pra viver de arte do que as pessoas com berço e patrocínio… E não seria diferente nos quadrinhos. Diante disso tudo surgiram coletivos artísticos, encontros de artistas das periferias… Pessoas que ousam sonhar em um país que cada dia mais os ignora e viver do que amam fazer.
A editora Guará, cria de Gabriel Wainer, tem apostado nos quadrinhos brasileiros por algum tempo. Um exemplo disso é a HQ “O Doutrinador” de Luciano Cunha, que se tornou filme e série e hoje em dia é reverenciada pela mídia. Hoje a Guará tenta criar heróis nacionais e inseri-los na cultura pop brasileira. E assim veio Lume.

Criada por PJ Kaiwoá, Eu Sou Lume mostra Maua, uma cidade que de fictício só tem o nome. Uma mistura de Rio de Janeiro com São Paulo, a cidade mostra o que vemos nas grandes metrópoles, onde a periferia é alvo da polícia despreparada e violenta e a área rica despreza os mais pobres.
A periferia de Maua, Esperanza, é o lar de Ludmila, nossa heroína. Negra e de família pobre, a menina de 16 anos foi criada pelo avô; sua mãe faleceu no parto em um acidente chamado escândalo das clínicas. Devido ao caso, Ludmila e outras pessoas afetadas pelo escândalo, receberam uma bolsa de estudos integral em um dos maiores colégios de Maua, o Prime.
No colégio Ludmila enfrenta o preconceito por ser negra e “favelada”, algo muito comum (infelizmente) na vida real. Mas nossa heroína não se afeta e não leva desaforo para casa (aliás, uma das coisas que eu mais gostei nesse quadrinho).
Ludmila descobre seus poderes desde pequena e é auxiliada pela doutora Lis, uma médica da região que a acompanha desde pequena. Lis é como um Merlin para ela, a guiando nos momentos de crise… Em uma relação parecida como de mãe e filha.
No quadrinho vemos heroísmo desde a primeira página, mas o que se destaca são as relações criadas ali; os momentos de dúvida, de reconhecimento, de apoio… A representatividade bem firmada do início ao fim!
“Seja o herói que precisam. Usando o que tem, do jeito que for necessário”
PJ Kaiowá criou um ponto de partida que eu gostaria muito que tivesse continuidade. Precisamos mostrar aos nossos jovens negros por meio de representações, que eles podem ser melhores, brilhantes… Heróis. Emicida na música, Marielle Franco na política e Lume nos quadrinhos…
As Luzes negras.









3 Comentários
Belo Testo, espero que alcance a maior quantidade de jovens necessitados de impulsos.
Tem filme sobre 3sse quadrinho
Tem filme sobre esse quadrinho e onde posso compra esse gebi