Fleabag é uma dramédia britânica produzida pela Amazon em parceria com a BBC, criada, escrita e estrelada por Phoebe Waller-Bridge, que interpreta uma mulher por volta dos 30 e poucos anos lidando com seus problemas familiares, seus relacionamentos de bosta e o luto por sua melhor amiga.
O nome da protagonista não é mencionado em nenhum momento na série e ela é creditada apenas como “Fleabag”. “Fleabag” é uma expressão inglesa para “saco de lixo” ou “sarjeta” e é assim que a protagonista se encontra: na bosta. A maneira como as coisas acontecem e como a Fleabag (Phoebe Waller-Bridge) tenta lidar com tudo isso é simplesmente maravilhosa e engraçada e, algumas vezes, muito errada. Mas é isso que é, uma mulher tentando seguir sua vida sem ter noção de como fazer isso, cometendo erros, entrando em relacionamentos estranhos e sem saber lidar com os acontecimentos.
Parte do sucesso da série, que foi vencedora de seis das onze indicações ao Emmy Awards 2019, vem tanto do humor ácido da protagonista, quanto quando a protagonista quebra quarta parede para conversar com o telespectador durante alguns acontecimentos, fazendo piadas sobre os envolvidos e sobre a situação e, no momento em que ela se dirige a eles, fala algo completamente diferente. Nesses momentos fica nítido o quanto a Phoebe é perfeita interpretando sua criação.
Já no primeiro episódio, a primeira cena é dela esperando um cara às 2h da manhã depois dele mandar uma mensagem de “posso passar aí?”. Ela se arruma inteira e finge que não estava fazendo nada de mais, mas provavelmente estava dormindo (quem nunca?).
A série é sexual, afinal Fleabag é uma mulher adulta e sexualmente ativa e essa característica chega a levantar a hipótese de que ela seja viciada em sexo, mesmo ela negando veementemente que não é. A personagem está o tempo todo falando sobre sexo e a vontade dela de fazer sexo ou fazendo, sem em nenhum momento a série mostra mais do que um homem sem camisa. Ninguém fica nu e tudo bem, afinal é uma série de comédia.
Fleabag é uma pessoa com problemas emocionais (e quem não tem?). Há alguns anos ela perdeu a mãe e seu pai começou a namorar a mulher que, além de melhor amiga de sua mãe, também é madrinha dela e de sua irmã. Pra piorar, não faz muito tempo que sua melhor amiga Boo cometeu suicídio acidental após descobrir que o namorado dela a traía e então o café que as duas abriram juntas fica sob responsabilidade da Fleabag, que não tem a mínima ideia de como administrar sozinha e o empreendimento vive vazio.
Parece muito triste e mórbido, mas não é. É uma série que vai te fazer dar gargalhadas até as bochechas doerem e também vai te fazer chorar em certos momentos. É impossível não se identificar pelo menos um pouco com a protagonista, qualquer que seja a situação. Fleabag é um humor que foge do que vemos nas séries e filmes do gênero produzidos por norte-americanos, brinca com diversos estereótipos, principalmente masculinos e quebra o estereótipo de que mulheres não sabem fazer humor.
Apesar de ter apenas duas temporadas, a série termina bem, sem nenhuma ponta solta e no auge, sem nenhum final ruim para estragar essa obra perfeita. São apenas 12 episódios, 6 em cada temporada, de aproximadamente 25 minutos cada, perfeita para uma maratona de domingo.
Nunca fui fã de séries e filmes de comédia, porém Fleabag me prendeu e me emocionou de um jeito que eu jamais esperaria de uma série do gênero e com toda certeza está na minha lista de favoritas. Com toda certeza, vale o play.
As duas temporadas da série estão disponíveis no Amazon Prime Video.





