O cenário cinematográfico é dominado pelo cinema americano, e isso não é novidade. Não importa em que parte do mundo você esteja, irá ter em cartaz um filme estadunidense. Todavia isso não quer dizer que ele necessariamente seja o melhor em qualidade do mercado, mas sim o mais vendável, e com maior impacto global.
O cinema espanhol vem se destacando com o passar dos anos, e ganhando força neste cenário. Por mais que ainda esteja em desvantagem com o cinema americano, a qualidade dos filmes espanhóis só aumenta. O que mais chama atenção é a qualidade no enredo para filmes de suspense ou terror. É claro que você conhece REC, um terror de 2007, que deu origem a uma sequência de filmes. Mas o que pouco se destaca são os filmes cujo a história se desenrola e não dependem em si de plots clichês, como o conflito entre homem e vírus de REC.

Um grande exemplo disso é o filme “Os olhos de Júlia”, que consiste em um enredo que te prende do começo ao fim, tendo em vista que a protagonista corre contra o tempo, devido a uma doença que faz com que ela perca gradativamente sua visão. Ao longo do filme Júlia (Belén Rueda), tenta decifrar o assassinato de sua irmã, e quanto mais ela chega próximo da verdade, mais ela perde sua visão. O filme não é espetacular, e a sua produção não se compara com os filmes de Hollywood, no entanto, a sua história é repleta de suspense e originalidade.

Em 2012 foi lançado o filme “O Corpo”, o longa ganhou algumas críticas positivas, no entanto não foi tão reconhecido mundialmente. O filme ganhou um certo destaque quando entrou para o catálogo da Netflix (infelizmente não está mais disponível). A trama recheada de suspense, é passada em sua grande maioria em um necrotério e em uma delegacia, quando Alex Ulloa (Hugo Silva) é notificado que o corpo de sua recém falecida esposa desapareceu.
O espectador não sabe da história por inteiro, como a Mayka (Belém Rueda) realmente morreu, ou se ela realmente morreu de fato. Durante todo o filme você é confundido. O desaparecimento do corpo é algo sobrenatural? Ou Mayka fingiu sua morte para dar o troco em seu marido? Inúmeras questões são geradas durante filme, como se elas te guiassem para o inacreditável final. Infelizmente é uma pena que este filme não tenha recebido o prestígio que merece, pois nesta obra é possível notar que para fazer um suspense de qualidade não é necessário apelar somente para os sustos ou músicas clichês em volumes estridentes.

Verónica, é um filme de terror de 2017, que trouxe um assunto já abordado em diversos outros filmes: tabuleiro de ouija. Por mais clichê que o filme aparenta ser, a atuação de Sandra Escacena, que interpreta a protagonista Veronica, se destaca juntamente com os efeitos especiais. Um filme que poderia ser mais um dentre tantos do mesmo estilo, se destacou pela sua qualidade visual e pela escolha do elenco. O resultado disso foi indicações 6 indicações no Prêmio Goya, uma premiação espanhola de grande prestígio.

Por fim, cabia a mim fechar com chave de ouro, com um dos melhores filmes espanhóis do gênero que pude assistir, “Um Contratempo”. O longa de 2017 traz uma história repleta de reviravoltas, com um texto impecável e uma fotografia incrível. Oriol Paulo, mesmo diretor de “O Corpo”, elevou a qualidade de seu trabalho nesta obra. O filme traz um caminho parecido com o filme “O Corpo”, ele trilha um caminho enganando o espectador, o fazendo crer que já solucionou o mistério do filme. No entanto apenas no final que ele traz o desenrolar da história, mostrando minuciosamente, desde do começo do filme, todos os detalhes que passaram despercebidos, e como ele te enganou e te conduziu durante a trama inteira.
Uma coisa que precisa ser ressaltada é a necessidade da maior visibilidade do cinema estrangeiro. É extremamente necessário sair da zona de conforto, e procurar apoiar diretores e outras obras que não sejam as que já estão nos holofotes.
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